segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Baixa participação marca eleição no Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro

Os jornalistas do Estado do Rio de Janeiro têm nova diretoria para o triênio 2009/2011. A eleição aconteceu neste final de semana, sexta (12) e sábado (13), em vários pontos do estado. A chapa única foi construída depois de muita negociação entre um grupo de jornalistas e membros da atual diretoria.

Mas o ponto negativo desta eleição ficou por conta da baixíssima participação dos colegas jornalistas, e que confirma a nossa apreensão com relação aos destinos da nossa entidade, e que nos motivou a participar do pleito para reconstruir o sindicato.

Mas confesso que depois de tanta discussão para a formação da nova diretoria esperava uma participação maior, mesmo sabendo que a participação da categoria no nosso sindicato sempre foi mínima. Uma conseqüência natural ao abandono que as diretorias anteriores impuseram aos jornalistas que trabalham nos municípios de todo o interior do estado, do norte ao sul fluminense.

O quórum mínimo de 30% foi alcançado, mínimo mesmo, porque dos 226 sócios aptos a votar, o que já é muito pouco para um sindicato estadual, apenas 79 jornalistas votaram.

Aqui em Campos, por exemplo, dos 30 sócios, apenas 7 compareceram à Associação de Imprensa Campista para participar. No sul, em Resende, não foi diferente, 11 jornalistas votaram.

Este resultado demonstra o quanto estávamos certos no diagnóstico de que era preciso renovar e dar uma cara estadual ao sindicato. Resgatar mesmo a imensa dívida que o sindicato tem com os jornalistas do Rio de Janeiro.

A posse da nova diretoria já está marcada para o dia 6 de janeiro, em Niterói, quando acontecerá a primeira reunião da nova diretoria. A intenção é acertar o planejamento das primeiras ações do sindicato, em várias áreas, para o próximo ano.

A minha esperança é de que os jornalistas, a partir da presença e do comprometimento do sindicato na defesa dos interesses da categoria, passe a acreditar e participar. Porque só com a participação efetiva de todos, ou pelo menos de uma maioria significativa, poderemos superar as humilhações a que os jornalistas são submetidos no exercício diário da profissão, principalmente no interior do estado.

Os jornalistas brasileiros vivem um momento mais delicado de sua história, com a possibilidade de ver o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela não obrigatoriedade do diploma; em que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) prepara proposta de uma nova regulamentação da profissão; e que um grupo de trabalho do Ministério da Educação (MEC) vai iniciar, em janeiro de 2009, estudos para melhorar a qualidade do ensino nas faculdades de jornalismo do país.

Se tudo isso não bastasse, precisamos conquistar melhorias salariais e de condições de trabalho, lutar para garantir acordos coletivos amplos que contemplem novos benefícios além daqueles direitos trabalhistas já consagrados e que são negados pelos patrões.

Mas, repito, só conseguiremos avançar a partir do momento em que sindicato e categoria se unirem e mostrarem força. É possível, mas não basta querer, é preciso participar.

É importante dizer que a exigência do diploma, uma regulamentação atualizada, ensino de qualidade, salários compatíveis e boas condições de trabalho não são de interese apenas dos jornalistas, mas de toda a sociedade, que tem o direito constitucional a informação de qualidade.

Portanto, as condições em que os jornalistas exercem suas atividades, estão diretamente relacionadas a garantia da população de poder exercitar com plenitude a sua cidadania, e, assim, juntos, construir um país melhor.

Nenhum comentário: