sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Grandes veículos manipularam informações sobre a Confecom, diz presidente da FENAJ

Tanto os veículos que não participaram da 1ª Conferência Nacional de Comunicação quanto alguns dos que participaram se exacerbaram na deturpação e manipulação do conteúdo dos debates e propostas, desinformando a sociedade. Tal avaliação é do presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Para ele, o centro das preocupações da grande imprensa foi combater as propostas dos jornalistas para a democratização da comunicação no Brasil. Em encontro com jornalistas nesta segunda-feira (21/12), o presidente Lula fez uma avaliação positiva da 1ª Confecom.

Realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília, a 1ª Confecom reuniu mais de duas mil pessoas entre delegados, observadores e convidados. Propostas que os jornalistas brasileiros defendem há décadas, como a exigência do diploma para o exercício da profissão e uma nova Lei de Imprensa, e outras mais recentes, como as de criação do Conselho Federal dos Jornalistas e de um código de ética para o Jornalismo no país, foram aprovadas com amplo apoio na conferência.

O balanço da conferência vem ganhando destaque nos últimos dias. Para o vice-presidente da FENAJ, presidente da Federação de Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc), coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e membro da comissão organizadora da 1ª Confecom, Celso Schröder, a realização da conferência colocou o tema na agenda política do país. A definição de políticas públicas para a comunicação brasileira não pode se dar apenas a partir dos interesses dos donos da mídia, disse. Para Schröder, a 1ª Confecom deixou claro que a propriedade cruzada e o monopólio dos meios de comunicação impedem a pluralidade de visões sobre os fatos, a diversificação e a ampliação da produção cultural no país.

O consultor Jurídico do Ministério das Comunicações e presidente da comissão organizadora da I Conferência Nacional de Comunicação, Marcelo Bechara, também fez, em declarações a diversos veículos, uma avaliação positiva da conferência e de suas resoluções. E destacou que a luta pela manutenção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista foi uma das principais bandeiras apresentadas pela sociedade civil, em várias etapas estaduais da Confecom. Durante as etapas preparatórias ele não se manifestou sobre a questão para não influenciar os participantes. Mas no dia 17 de dezembro votou favoravelmente à proposta de resolução sobre a questão na plenária final.

Liberdade de imprensa
Em encontro com profissionais que fazem a cobertura jornalística do Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (21), o presidente Lula avaliou que o país está vivendo intensamente a liberdade de imprensa.

Lula elogiou o envolvimento de diversos setores na construção da Conferência e também a considerou positiva. O que a gente percebeu é que a gente destravou uma coisa que estava tensionada, e as pessoas puderam descobrir que essa convivência democrática na diversidade é o melhor jeito de a gente construir um novo marco regulatório para as telecomunicações no Brasil, afirmou.


Discurso desafinado
A maioria dos grandes veículos de comunicação no país, no entanto, buscou desqualificar a 1ª Confecom antes, durante e depois de sua realização. Descontente com tal cobertura, o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, observou que as críticas dos veículos se concentraram no combate às propostas dos jornalistas. Neste discurso desafinado com a realidade, os veículos que não participaram da Conferência e alguns dos que participaram se exacerbaram na deturpação e manipulação do conteúdo dos debates e propostas, desinformando a sociedade, disparou. Segundo ele, os proprietários dos veículos querem que a comunicação no Brasil funcione como terra sem lei.

Como exemplo ele cita a cobertura em relação à proposta de criação de um conselho federal dos jornalistas. A proposta da FENAJ é constituir uma OAB dos jornalistas, com funções de fiscalizar o registro dos profissionais, defender uma formação de qualidade e zelar pela aplicação do código de ética. Não tem nada a ver com censura é grosseira a distorção, reclama o presidente da Federação. Segundo ele, a maioria dos países democráticos do mundo tem conselhos de imprensa que atuam na fiscalização das ações do Estado e na defesa da liberdade de imprensa. O conteúdo da proposta da FENAJ para o debate com a sociedade está em http://www.fenaj.org.br/cfj/projeto_cfj.htm

Fonte: site da Federação Nacional dos Jornalistas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Manifesto de encerramento do Movimento Viva Monitor

De modo grosseiro e injustificável, o diretor presidente do condomínio empresarial Diários Associados no Rio, Maurício Dinepi, não respondeu às insistentes tentativas de contato que empreendeu o Movimento Viva Monitor entre os dias 4 e 10 de dezembro, por meio de ligações telefônicas e e-mail, com o objetivo de obter uma prorrogação no exíguo prazo estabelecido pelo empresário para que os ex-funcionários e simpatizantes do jornal levantassem os R$ 250 mil fixados para a venda da marca “Monitor Campista”.

Se, por um lado, tal comportamento provoca estranhamento, em virtude de ter o mesmo Dinepi recebido, por duas vezes, uma comissão do Movimento Viva Monitor, por outro evidencia a truculência de quem fechou um jornal quase bicentenário sem demonstrar o mínimo respeito aos funcionários, assinantes e demais leitores, mediante publicação de uma nota lacônica no dia 15 de novembro, na última edição do veículo.

Este mesmo desrespeito manifesta ainda Maurício Dinepi ao se preparar, agora, para retirar da cidade todo o acervo do Monitor Campista, que encontra-se embalado para transporte na antiga sede do jornal, na rua João Pessoa. Mais este crime será cometido contra a memória histórica de Campos dos Goytacazes se a sociedade conservar a passividade que tem demonstrado em relação ao fim do jornal.

Em razão desta impossibilidade de avanços na negociação com os, infelizmente, proprietários da marca “Monitor Campista”, o Movimento Viva Monitor torna público o encerramento da campanha de arrecadação de recursos que realizou a partir de 28 de novembro, dia seguinte ao que fora estabelecido o valor de compra por Dinepi.

Foram apenas cinco dias úteis para que o Movimento buscasse levantar R$ 250 mil. Um prazo certamente fixado para que tal intento não fosse atingido. Mesmo assim a campanha não recuou, e foram feitas todas as tentativas que estiveram ao alcance dos poucos participantes do movimento. E, como ocorreu com o Trianon, todas as pessoas influentes da sociedade campista não poderão dizer que não sabiam o que estava ocorrendo e, ainda, que não tiveram a chance concreta de reverter a situação.

O Movimento Viva Monitor se orgulha, ao menos, de não ter deixado o Monitor Campista morrer sem que nenhuma voz de protesto se levantasse. Iniciado pela Associação de Imprensa Campista, foi ele quem catalisou toda a restante capacidade de indignação local contra mais esta perda.

Esta voz foi ouvida e registrada em todas as matérias jornalísticas que trataram do fim do Monitor Campista, em veículos locais e nacionais, e se credenciou como interlocutora nas tentativas de criar formas que permitissem o renascimento do jornal. Foram realizadas duas manifestações públicas, várias reuniões na AIC, lançado um abaixo-assinado online que ultrapassou mil adesões, um blog, duas reuniões com os Diários Associados, uma reunião com a Prefeitura de Campos, e diversos contatos com empresários e entidades como CDL, ACIC e Carjopa, além de sindicatos e clubes de serviço, no sentido de buscar a sensibilização para a causa e, na etapa final, a efetiva contribuição financeira para a aquisição da marca “Monitor Campista”.

Tudo isso não pareceu suficiente para vencer interesses até hoje não claramente identificados, com os quais parece estar mais afinado o senhor Maurício Dinepi.

E para que o Movimento Viva Monitor não seja confundido com nenhuma outra eventual forma de reabertura do jornal, que não passe pelo modo transparente como defende e com a manutenção da sua qualidade editorial, os seus integrantes, reunidos hoje, decidiram por encerrá-lo formalmente.

Todos os recursos doados para a Campanha Viva Monitor, que foram depositados na conta bancária da Associação de Imprensa Campista, serão rigorosamente devolvidos. Eles foram registrados, nomes e valores, no blog do movimento.

A todos os doadores e participantes, àqueles que não puderam estar presentes às reuniões mas mantiveram-se na torcida, aos inúmeros leitores do jornal que enviaram mensagens e comentários no blog da campanha, o Movimento Viva Monitor agradece de modo sincero e emocionado.

O assassinato do Monitor Campista entra, agora, para a galeria de crimes célebres de Campos. Ainda que ele venha a ressurgir, o fará de modo farsesco, como também ocorreu com o Teatro Trianon, uma vez que não há a menor segurança de que possíveis compradores do mundo político ou empresarial venham a manter o jornal com a mesma postura de independência e qualidade com a qual sua redação o mantinha até o dia 15 de novembro. Será, se ocorrer, como uma segunda morte do “velho órgão”, e com isso não compactuarão o Movimento Viva Monitor e a Associação de Imprensa Campista.

Campos dos Goytacazes, 10 de dezembro de 2009
Movimento Viva Monitor

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Blogueiro é notificado por uso indevido das marcas da Folha e do UOL

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro

Na última sexta-feira (04/12), o blogueiro Antonio Arles foi notificado extrajudicialmente pela Folha de S. Paulo e pelo UOL. O motivo foi a publicação, no blog Arlesophia, de selos de uma campanha pedindo que os internautas cancelem suas assinaturas nos dois veículos.

“A marca da Folha e do UOL foram indevidamente utilizadas, de vez que não autorizadas (...). Tal atitude fere diversos dispositivos legais, constituindo crime”, diz a notificação.

Assustado, Arles, que cursa a faculdade de História na USP, retirou as imagens do ar imediatamente. “Aparece uma pessoa, vinda de táxi, e me entrega uma carta. Quando eu abro, vejo que é uma notificação. Eu fiquei assustado”, diz.

O blogueiro explica que não agiu de má-fé, apenas publicou imagens que recebeu por e-mail. “Eu não tinha conhecimento. Era uma coisa pública, estava na Internet, aí eu coloquei no meu blog”, conta.

Arles afirma ter se sentido intimidado com a atitude tomada pelos veículos. “Eu acho que foi uma tentativa de cerceamento da liberdade de expressão”, diz, lembrando o caso da Folha de S. Paulo, que recebeu uma suposta ficha criminal da ministra Dilma Rousseff e a publicou.

“É o mesmo caso. Eles (Folha) não receberam a ficha da Dilma por e-mail e publicaram? Eu também recebi as imagens por e-mail e publiquei. Eles não tiveram o trabalho de apurar para confirmar a veracidade do documento. Eu não tive a preocupação com uso indevido da marca”, afirma.

A advogada da Folha de S. Paulo Taís Gasparian afirma que a medida não visa o cerceamento da liberdade de expressão, apenas o resguardo da marca das empresas. “Nunca pretendemos cercear a discussão sobre o assunto. Ela é válida, interessante, desde que não se utilize a marca dessa maneira”, explica.

Taís argumenta que tanto o UOL como a Folha possuem blogs e as empresas defendem a liberdade de expressão. A advogada explica que o mesmo procedimento será adotado em situações semelhantes, não importando quem seja o notificado.

“Não tem nada a ver com o assunto tratado. Qualquer outra empresa, que utilize a marca da Folha ou do UOL dessa maneira, será notificada”, afirma.

O caso foi discutido pelo Fórum de Mídia Livre e motivou a criação da Rede de Solidariedade e Proteção à Blogosfera, que contará com juristas e advogados, além de um fundo com a ajuda de organizações nacionais e internacionais.

Fonte: site Comunique-se.